Turvo. Era assim que o homem enxergava.
Seus passos vacilavam a cada metro percorrido, no longo corredor de pedra, intercalados pelo barulho que a pesada armadura, agora em frangalhos, emitia. Seus punhos estavam cerrados e cobertos de sangue flagelado. A contrição de seus dedos em atrito com a espada fazia a lâmina tremer, desesperada ao ar. A medida que ele tentava se equilibrar sobre as próprias pernas.
Um barulho corta o silêncio frio do túnel de granito extremamente polido. O homem se escora na parede, pó de pedras entra nos buracos de seu pesado fardo, a arenosa sensação de atrito em suas feridas, já inflamadas...Dor...
Bastarda ao chão, giro, força, mais dor. Ele tinha que prosseguir, não podia perecer até a mensagem ser entregue...Tremulo ele emite um grunhido e se prostra novamente a caminhar, cambalear, se arrastar pelo infinito túnel...De encontro à morte com certeza, mas não sem antes permitir se pensar mais uma vez nos campos elísios de seu condado, na água fresca do riacho do brejo e na feição tenra de sua amada...
Precedendo o baque surdo de um corpo ao chão o túnel se escureceu e sua alma se encheu de dor...
29 de jan. de 2009
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